Sábado, 30 de Agosto de 2025
A agricultora Maria Eunice Soares de Machado Costa, de 60 anos, moradora de Montes Claros (MG), vê na macaúba a chave para transformar sua realidade e o mundo.
Nesta sexta (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a chamou de “revolucionária” na inauguração do Centro de Tecnologia e Inovação Agroindustrial da Acelen Renováveis. A macaúba será a base para a produção de biocombustível, com um investimento previsto de US$ 3 bilhões.
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“Para mim, é uma grande alegria saber que nós, agricultores, vamos fazer parte desse investimento que vai não só favorecer a nós, mas também ao meio ambiente”, disse a trabalhadora rural, membro da Cooperativa dos Agricultores Familiares e Agroextrativista Ambiental do Vale do Riachão.
No evento, Lula pediu que Maria Eunice compartilhasse sua luta pela sustentabilidade na região, que se estende desde a década de 1990.
“Essa mulher tem muito a ver com a história da sobrevivência da macaúba aqui nessa região”, afirmou Lula.
Maria Eunice relembrou a luta contra a seca do Rio Riachão, causada pela instalação de pivôs de irrigação por grandes fazendeiros. “Foi uma luta muito grande durante três anos. Até que conseguimos lacrar os pivôs dos grandes produtores”, relatou.
Segundo a empresa, o fruto da macaúba passa por limpeza e esmagamento, transformando o óleo vegetal em querosene de aviação verde e diesel verde.
O projeto abrange uma área plantada de 180 mil hectares, com 20% provenientes de pequenos agricultores, e a expectativa é gerar 85 mil empregos em 10 anos.
Lula defendeu que o Brasil será o campeão mundial na transição energética e dos combustíveis renováveis, garantindo que a produção de macaúba não envolverá desmatamento. “Nós temos mais de 40 milhões de hectares de terra degradadas”, afirmou.
O presidente também enfatizou a importância de parcerias comerciais para a sustentabilidade global.
“Nós é que temos que pensar que tipo de projeto de desenvolvimento que nós queremos. A gente não pode ficar na expectativa de que ficar rindo para os Estados Unidos vai fazer aquilo que nós precisamos”, disse o presidente.
Lula ressaltou que o Brasil deve buscar suas próprias soluções. “A gente não tem tempo de reclamar, a gente não tem tempo de chorar. A gente tem que acreditar e fazer as coisas acontecerem”, declarou.
Ele celebrou o empreendimento como transformador para os produtores rurais. “Enquanto a planta não der a primeira colheita, os agricultores vão receber um pró labore”, garantiu.
João Paulo dos Santos Fonseca, técnico de operações sênior da empresa, testemunhou como as políticas públicas mudaram sua vida.
Ele concluiu a graduação em engenharia de produção com o Fies, superando as dificuldades financeiras.
“Essa oportunidade transformou a minha vida. Hoje, na empresa, tenho o privilégio de contribuir com entusiasmo para a transição energética do Brasil. Que a minha presença aqui possa inspirar outros jovens a acreditarem no seu potencial”, concluiu.