Domingo, 31 de Agosto de 2025

Emissões de Metano no Brasil Aumentam 6% Desde 2020: Impactos e Desafios Climáticos

Relatório do Observatório do Clima revela crescimento nas emissões de CH4, impulsionado pela agropecuária, e cobra ações para cumprimento de metas globais.

28/08/2025 às 21:36
Por: Redação

As emissões brasileiras de metano em 2023 foram 6% maiores do que em 2020, totalizando 20,8 milhões de toneladas contra 19,6 milhões de toneladas, segundo dados da rede Observatório do Clima (OC) divulgados nesta quarta-feira (27).

O Observatório do Clima (OC) destaca que o metano é um gás de efeito estufa com potencial de aquecimento global 28 vezes maior que o do CO2 em um período de 100 anos, apesar de sua vida útil mais curta na atmosfera.

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A maior parte das emissões de metano no Brasil vem da agropecuária, especialmente da fermentação entérica (arroto do boi), respondendo por 15,7 milhões de toneladas em 2023, cerca de 75% das emissões nacionais do gás.

“O Brasil aderiu ao Compromisso Global do Metano, um acordo assinado na COP 26, em Glasgow, em que mais de 150 países assumiram o compromisso de reduzir em 30% as emissões globais do gás até 2030, em relação a 2020. O Brasil é o quinto maior emissor de CH4 [metano] do mundo (atrás de China, Estados Unidos, Índia e Rússia), mas, assim como outros grandes emissores, não fez quase nada para implementar o compromisso”, destacou o Observatório, em nota.

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Crescimento

O Observatório ressalta que o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima apurou que, desde 2015, as emissões de metano brasileiras estão crescendo.

Para o observatório, a comparação entre os níveis de 2005 e 2020 revela aumento de 2% (de 19,2 toneladas para 19,6 toneladas). Já a variação entre os anos de 2005 e 2023 foi de 8,3% (19,2 toneladas para 20,8 toneladas).

"O OC tem mostrado tecnicamente que, para liderar a ambição climática mundial, o Brasil precisa focar em soluções de regeneração florestal, recuperação de solo e adoção de energias renováveis. Ao mesmo tempo, terá de reduzir as emissões de metano, lidando com a magnitude da atividade pecuária, a precariedade da gestão de resíduos sólidos e a pobreza energética”, disse o coordenador do SEEG, David Tsai.

De acordo com o Observatório do Clima, os sistemas de produção de carne e leite são os que têm maior potencial de contribuir para reduzir o metano do setor de agropecuária.

“Os números apurados pelo OC reforçam a necessidade de uma resposta rápida e coordenada para a mitigação do metano pelo Brasil. Limitar o CH4 na atmosfera é um passo importante para controlar o aumento da temperatura da terra e pode oferecer resultados mais rápidos em comparação com o CO2. Reduzir o metano em 45% é crucial para diminuir o aquecimento global em 0,3 ºC até 2040”, sustenta o observatório.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima foi procurado, mas ainda não se manifestou.